Ela sempre olhava as coisas pelo melhor ângulo,afinal não conhecia a dor.
Criada em família nobre, estudou em escolas particulares sua vida toda,inclusive na fase universitária. Tinha tudo e todos que queria, sem ter que lutar muito por isso. Nessas horas,a beleza e o dinheiro sempre a ajudavam.
Mas, como a vida é indecifrável como ela só, apronta uma daquelas pra pobre mulher mal acostumada.
Tudo estava muito bem antes de conhecer Rodrigo. Tinha uma carreira muito mais que sólida na empresa de seu pai, uma casa e um carro de darem inveja e a melhor coisa de todas,sua liberdade.
Sendo arrebatada por esse sentimento estranho, essa falta incessante que sentia de Rodrigo, essa vontade de estar sempre junto, de amá-lo até seu último suspiro de vida, de descobrir cada milímetro do corpo e da mente dele, Aline percebeu que não havia saída a não ser dar o braço a torcer. Assim o fez.
E foi a pior coisa que fez na vida.
A vontade virou necessidade, a curiosidade virou questão de honra e de orgulho. Tudo estava fungindo do seu controle,e não havia nada que pudesse fazer, afinal já estava londe demais para voltar atrás.
Ele a fazia feliz. E muito! Mas tinha seus (grandes) defeitos e ela deveria descobrir uma maneira saudável de lidar com eles. Assim como ela possuia os seus,ele também possuia todo o direito de ter os dele. Desde que a sua maior conquista permanecesse intacta. A sua liberdade.
Ebulição. Era exatamente assim que ela poderia descrever o que tinha dentro de si. Uma grande ebulição de sentimentos,desejos, raivas, ciumes, alegrias, tristezas, medos, decepções e mais uma série de substantivos complicados demais para sua antiga rotina prática.
Como entender tudo isso? Como dar uma esfriada dentro de si e colocar as coisas em seu devido lugar,como era antes?
Aline já não saía mais com suas amigas, não saía mais a não ser na companhia de seu amado, de seu vício.
Demorou, mas ela percebeu que ela havia perdido a sua maior riqueza. Sim, a liberdade.
Até onde o amor pode pagar o tão alto e inflacionário preço da liberdade?!

(continua)

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