Ir ou ficar. Pensar ou agir. Querer ou repudiar. Sair ou entrar.
Nem tudo tem que ser assim, cheio de duas opções. Eu gosto mesmo é de ficar no meio termo, de viver os dois lados da moeda, de saber que o gosto é ruim pensando que é bom.
Não me importo muito com dizeres, opiniões ou julgamentos. E não é só uma demagogia barata.
Tudo o que eu quero é que no fim do dia, quando deito a cabeça no travesseiro, eu sinta que tudo o que eu poderia ter feito,eu fiz. Certo ou errado,mas fiz.
Talvez por isso seja tão julgada por pessoas que nem me conhecem bem (afinal,quem conhece?). Esse meu jeito de só querer experimentar já me deixou em saias bem justas, mas com o tempo aprendi que se tá justa, a gente solta mais um botão.
As vezes a vida me faz engolir a seco algumas coisas, o que me faz crescer e acreditar que tudo tem um propósito. Mas sem aquela baboseira de destino ou karma, é só uma questão de ação e reação.
O que me faz querer ir adiante é o tentar e o arriscar,sem saber pra que raios a gente vai usar essa experiência que se diz adquirida pelos tombos da vida.
Ainda tenho a esperança de poder usar isso algum dia.



A ilusão por muitas vezes tem sido minha companheira mais íntima. O mais estranho é que eu gosto disso. Gosto de fugir da realidade por uns momentos e acreditar que tudo é diferente, não melhor ou pior, mas diferente.
O diferente me instiga, junto com a ilusão, a não querer ser sempre a mesma,a não manter os mesmos hábitos e nem pensar da mesma forma. A mutação faz parte de mim assim como eu faço parte dela de uma maneira que me faz crescer.
Por outro lado, a ilusão também pode machucar e formar buracos de um tamanho imensurável. Mas só quando ela quer.
Essa lado negro de iludir me faz querer ser iludida ainda mais, já que correr risco faz parte de mim. Sair machucada é um preço que tenho que pagar por alguns momentos de prazer ou de felicidade ilusórios. Tudo bem, um outro dia chega e a superação vem com ele, como sempre.
O ponto é que sem a ilusão, a realidade não existe.
E tudo é só uma questão de referencial. O real se mistura com o irreal tão fascinantemente excitante que não me faz querer distinguir um do outro.
O que me interessa é viver, sob ilusão ou não. Acima de qualquer coisa.
A beleza das coisas não consiste em conceitos pré-estabelecidos ou em formalidades sociais. O espontâneo e sem-nome é o mais interessante e excitante dos acontecimentos. Não denominar significa estar livre a significados presos do dicionário e a regras que muitas vezes não condizem com o que realmente queremos ou sentimos.
Algo relativamente rápido pode se tornar eterno e mais significativo do que um outro que de certa forma deveria ser permanente. O passageiro acaba por ser muito mais marcante, por mais ínfimo tempo que tome, dependendo da forma que é vivido.
O que me resta é agradecer ao passageiro que se tornou eterno, aos momentos rápidos mais longos que eu já tive, aos olhares sinceros, as palavras límpidas e aos sorrisos inocentes.
Estes, por mais breves que tenham sido, são os mais inesquecíveis de todos.
Obrigada.