Oração de quem não sabe rezar.



Vida, perdoai os feitos de pedra
Eles não conhecem a alegria Sua
Não enchergam o que os cerca
Não vêem a beleza nua

São dotados de toda capacidade suposta que todos devem ter
Tocam, cheiram, andam mas não sentem tanto
Vêem tudo o que há para ver
Porém suas visões são em preto e branco


Eu te imploro, sábia Vida
que estes de pé se tornem menos cruéis
para nós, para eles mesmos, para todos os Teus fiéis.


Será que estamos aqui mesmo pra sermos felizes?
Pra quê, se a felicidade toma momentos esporádicos?
Com felicidade ou não, o que me importa de verdade é estar em paz. Paz comigo mesma e com os que amo. Com quem realmente me importo.

Sendo auto-ajuda, desabafo ou só palavras em vão, queria mesmo é fazer com que me entendessem. As vezes dá só vontade de gritar isso, pra ver se todos conseguem compreender que só o que eu procuro é PAZ.
Indiferença, brigas, discussões. Quero distância disso tudo! Acho que vou escrever uma placa e pendurar no meu pescoço pra ver se finalmente me faço clara.

O que mata é depender do externo para que se encontre o interno. Sei que deveria ser o contrário mas a vida não é um livro de auto-ajuda nem textos da Martha Medeiros, como já me disseram.

Mesmo sabendo que preciso me desprender dessas bobagens sentimentais e românticas, mesmo vendo que isso acaba prejudicando a mim mesma e a mais ninguém... Saber é muito fácil. O que fazer com o "saber" é o que me falta.

Preferia não saber. Preferia ser ignorante.
Preferia ser um desapego qualquer...
É difícil falar em defeitos. Mais difícil é reconhecê-los. E mais difícil ainda é consertá-los.
Lembro de várias frustrações pessoais por simplesmente não aprender que as coisas não são do jeito que queremos ou que pensamos que fossem ser. Reconheci o meu erro.
Prometo pra mim mesma através de um ritual só meu que eu vou mudar. Que não vou cometer os mesmos erros. Que não vou ceder tão facilmente e que vou calcular cada passo,cada palavra, cada gesto, cada ato.
Acontece que mais uma vez,as coisas não acontecem como eu planejo.
E lá vou eu, de novo, cometer o mesmo erro. 
Eu não magoo ninguém com ele a não ser a mim mesma. Menos mal.
Depois de tantos conflitos internos, eu penso o que seria de mim sem esse tal "defeito". Uma pessoa mais fria? Mais intocável e insensível?
Não. 
Prefiro pecar por sentir demais. Porque eu sou assim. Intensa, extremista.
Quando amo, amo muito. Quando odeio, odeio muito. Não sei ter equilíbrio e é isso mesmo que me deixa em paz. Com a consciência tranquila.
Já que quando eu deito a cabeça no meu travesseiro pra dormir, posso estar com o coração despedaçado mas pelo menos eu sei que fiz. E fiz mesmo.
Posso ter feito demais (o que sempre acontece) mas sei que só assim eu consigo acabar com o ciclo e começar outro. De alma lavada, de espírito livre.

O felino é um bicho interessante. Forte, perspicaz, inteligente, com personalidade forte, uma preguiça e manhesa característica e cativante.
Não sentam, nem se fingem de mortos, nem dão a pata quando mandamos. Não nos obedecem e tem aquela mania de só fazer o que querem e quando querem.
O felino não é animal de estimação de ninguém. Ele que é o dono.
Por isso, uma demonstração de carinho e afeto de um gato é a coisa mais verdadeira que se pode ver. Gato não faz nada pra impressionar ninguém. É sincero e arrogantemente transparente.
Eles possuem um sexto sentido e são mais brincalhões e companheiros do que se pode imaginar. Estão sempre alim deitadinhos ao seu lado quando percebe que há algo errado. E sentem falta, sentem saudades e brigam, gritam e esperneiam por isso como se reclamassem de sua ausência.
Mas antes de dormir, te sobem na barriga, lambem  o teu nariz e vão dormir deitados aos seus pés.
A cada dia que se passa,me sinto mais uma gata do que uma mulher.


Estranho mesmo é ser mulher e não entendê-la. Sentir a dualidade e a confusão que fazem parte de todas nós e mesmo assim não compreender. Pensamentos surgem aos milhares e opiniões mutam-se como vírus.
O dia e a noite, o calor e o frio, o certo e o errado, o sim e o não. Os opostos coexistem dentro de cada uma tão harmonicamente que parecem realmente conviver em paz.
Mas paz é algo que a mulher desconhece. Mulher só sabe e sente a guerra. Aquela guerra interna e eterna em busca do melhor e do perfeito.
Mulher é mesmo ser plural e singular, é ser o que não se espera e sentir o que não se prevê.